A Infância
A meia noite
toca a canção do silêncio, que favorece ali, sentado num sofá, aquele ser a
despertar os mais profundos sentimentos.
Com uma
infância bastante limitada, sorriu, chorou, divertiu-se, como qualquer criança
normal, todavia, o tempo passou, e com ele as descobertas também. A infância,
porém, ainda fazia parte da sua vida.
Sozinho
“Na infância eu não fui como os outros foram,
eu não vi como outros viram,
não pude trazer minhas paixões de uma fonte
comum.
A partir da mesma fonte que eu não tenha
tomado a minha tristeza;
Eu não conseguia despertar o meu coração e a
alegria no mesmo tom.
E tudo que eu amei eu amei sozinho.
Então
na minha infância
No amanhecer de uma vida mais tormentosa
Foi elaborado de cada profundidade do bem e
do mal o mistério que ainda me liga.”
Hoje
Com tantos anos que se passou, o amadurecimento tomou
conta dele e, na mesma proporção, a tristeza e a angústia também, conformado
com suas circunstâncias de vida ele criou seu próprio estilo de vida, rodeado
de mistérios, ceticismo e prudência. Sempre convicto apenas da morte e da ideia
de ter o poder de viver através de seu conhecimento, capaz de fazer tudo ao seu
alcance para conquistar a felicidade, por mais distante que ela possa estar.
Sempre procurando às escuras uma luz que possa guiá-lo
enquanto vivo, mesmo que assim seja: fúnebre, onde o ópio surge com alternativa
para seu descanso ou para seu tédio constante. Há muito ele fugiu da realidade
para o mundo dos sonhos, da ilusão e da fantasia, porque lá consegue
compreender-se, assim sempre fora sua vida, evasiva à tudo aquilo que o trouxera
repúdio, nojo, desprezo.
Eu sou sozinho
“Agora e depois estou assustado quando pareço
esquecer
Como os sons se tornam palavras ou até mesmo
frases
Não, eu não falo mais, e o que poderia dizer?
Desde que não há ninguém lá e não há nada a
dizer.
Então, eu prefiro ficar no escuro, em
silêncio e sozinho
Ouvindo um raio de luz ou um som
Ou alguém para conversar, para algo
compartilhar
Mas lá não há esperança e não há ninguém lá.
Não, nem uma alma vivente
E não há mais nada a ser dito
No escuro eu permaneço totalmente sozinho
Dormindo a maior parte do tempo para suportar
a dor
Eu sou o amante da solidão
Minha corte está deserta mas eu não me
importo
A presença das pessoas é feia e fria
E é algo que eu não posso nem ver nem
assimilar
Não, eu não falo mais, e o que poderia dizer?
Desde que não há ninguém lá e não há nada a
dizer
Tudo é opressivo, tudo é tão pesado
Lá não há ninguém, e ninguém está lá.”
Aclahd Manson